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Planalto se prepara para receber mais denúncias contra ‘República da Bahia’ e blindar Lula

 Além de investigar Jaques Wagner, líder do governo no Senado, Polícia Federal apura ligações de Rui Costa com Augusto Lima, ex-sócio do Master, no caso da privatização da Ebal e com desvio de recursos para compra de respiradores




A política virou um “salve-se quem puder”. A quase três meses da eleição de outubro, o Palácio do Planalto já se prepara para enfrentar uma nova leva de investigações da Polícia Federal contra a chamada “República da Bahia”, com potencial para atingir homens da confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos últimos dias, interlocutores de Lula receberam informações de que, além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa poderá ficar muito mal na foto.

Wagner e Costa foram governadores da Bahia. Depois da privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), comprada pelo banqueiro Augusto Lima, o cartão de crédito consignado Credcesta entrou no negócio e foi arrematado por ele. Lima era sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Essa modalidade de empréstimo se expandiu no mercado, em todo o País, em parceria com a instituição comandada por Vorcaro. A Polícia Federal investiga denúncias de que Costa teria recebido propina para restringir ao Master a operação de crédito consignado para os servidores, com desconto direto na folha salarial.

O ex-ministro nega e repete que só se encontrou com Vorcaro uma única vez, em dezembro de 2024, em audiência com Lula, no Planalto. “Se ele passasse na minha frente, não saberia quem é”, costuma dizer.

O problema é que o nome de Costa também aparece no escândalo da compra de respiradores durante a pandemia de covid-19, em 2020, revelado pelo Estadão. As máquinas nunca chegaram à Bahia.

A PF descobriu que uma parte dos R$ 48 milhões desviados foi parar em um fundo de investimentos do grupo Reag. O grupo integra um intrincado esquema de fraudes ligadas ao Master. Além disso, Costa teria atuado a favor da compra do falido Master pelo BRB, vetada pelo Banco Central.

O PT tenta blindar Lula em um momento no qual a estratégia da campanha tem como principal arma as conexões do senador Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro. De acordo com as investigações, a relação de Flávio com Vorcaro vai muito além dos US$ 24 milhões negociados por ele com o banqueiro para financiar o “Dark Horse”, filme que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Neste dia de São João, Wagner vai conversar pessoalmente com Lula. Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico na época em que Rui Costa era governador, o líder no Senado foi atingido por acusações de ligações promíscuas com Augusto Lima, incluindo o pedido para compra de um apartamento em Salvador.

Dirigentes do PT e uma ala do governo querem que ele entregue o cargo. Wagner também vai conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Proporá que seja formada uma rede de solidariedade em torno dele e do próprio Alcolumbre – que também foi citado no escândalo do Master – contra decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

A temporada é de tensão na Praça dos Três Poderes, com cotoveladas entre ministros do STF. Líder do Centrão, o senador Ciro Nogueira, por sua vez, submergiu após a revelação de que comanda a “bancada do Master”. E o presidente da Câmara, Hugo Motta, que disse ao Estadão não ver problema em pegar carona no jatinho de Vorcaro nem em ter diárias de hotel pagas por ele para participar de uma das edições do fórum “Gilmarpalooza”, em Lisboa, conseguiu sair do fogo cruzado.

É que, em Brasília, um escândalo pisa em cima do outro. E, às vésperas das férias parlamentares, a vida segue, como se nada tivesse acontecido...

🚨 Tempestade em Brasília: Planalto tenta blindar Lula diante de novas denúncias contra a ‘República da Bahia’

O clima de "salve-se quem puder" tomou conta dos bastidores políticos às vésperas do recesso parlamentar. O Palácio do Planalto já se move para conter os danos de uma nova onda de investigações da Polícia Federal que mira em cheio o núcleo duro do governo, apelidado de "República da Bahia".

Os alvos principais são duas figuras de extrema confiança do presidente Lula: Jaques Wagner (líder do governo no Senado) e Rui Costa (ex-ministro da Casa Civil).

🔍 Entenda as principais frentes de investigação da PF:

  • O esquema do consignado (Banco Master): A PF apura se Rui Costa recebeu propina para restringir o mercado de crédito consignado dos servidores baianos ao Banco Master. Costa nega as acusações e afirma ter visto o dono do banco, Daniel Vorcaro, apenas uma única vez.

  • O caso dos respiradores: O nome de Rui Costa reaparece no escândalo da compra de respiradores fantasmas na pandemia (2020). Parte dos R$ 48 milhões desviados teria ido parar em um fundo ligado ao intrincado esquema do Master.

  • Negócios em Salvador: Jaques Wagner é alvo de denúncias de ligações promíscuas com o empresário Augusto Lima, que incluem o suposto pedido para a compra de um apartamento na capital baiana. Aliados já pressionam para que ele entregue a liderança do governo.

🌐 Um escândalo que cruza fronteiras partidárias

Embora o PT tente blindar o presidente Lula, o caso do Banco Master se transformou em uma teia que atinge múltiplos espectros políticos:

🎭 Fogo cruzado: O PT planejava usar as conexões do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o dono do Master como munição de campanha. No entanto, as novas revelações mostram que o banco tinha tentáculos em ambos os lados. 🏛️ Articulação no Senado: Jaques Wagner busca criar uma "rede de solidariedade" com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — também citado no caso —, para se contrapor às decisões do ministro do STF, André Mendonça. 🛩️ Centrão e a "bancada do Master": Nomes como Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, Hugo Motta (que admitiu ter pegado carona no jatinho do banqueiro investigado), também orbitam a polêmica.

Em Brasília, onde um escândalo frequentemente atropela o outro, o Planalto corre contra o relógio para evitar que a crise contamine a agenda do Executivo.

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